g.e. Glória

Futebol



Primeiro jogo em Porto Alegre - Assombrando o Beira-Rio

Era consenso. Todos concordavam que o Glória era a grande surpresa do Gauchão de 1989. Com um futebol eficiente, empatara com o Santa Cruz fora de casa e vencera Inter-SM e Caxias em Vacaria, garantindo a liderança de seu grupo. O bom rendimento chamou a atenção de todos para aquele debutante na primeira divisão. Uma pergunta, porém, ainda não tinha resposta: e como seria quando ele enfrentasse Grêmio ou o Internacional? O Glória apequenar-se-ia ou faria história contra os “grandes”?


A torcida acreditou que o time honraria a camisa. Em uma das mais belas páginas da história do clube, cerca de 300 torcedores desceram a Serra para acompanhar a estréia contra clubes da dupla Gre-Nal. Como adversário, o Internacional, vice-campeão brasileiro, com jogadores de Seleção, como Taffarel e Luiz Carlos Winck, e o goleador Nílson. Um time poderoso, a ser enfrentado no palco onde obteve suas grandes vitórias.


Abel Braga, técnico do Inter, imaginava um adversário retrancado, e não escalara os reservas apenas porque julgou que a partida seria um treino de luxo para os jogos do Inter na Libertadores. Do outro lado, Daltro Menezes dava seu recado: “Vamos ao Beira-Rio sem retranca. O time tem personalidade e vai atacar. O Inter que se cuide”.


Bastou o duelo começar para que se confirmasse que Daltro não estava blefando. Com muita marcação e excelente preparo físico, o “Leão” anulou o Internacional. Nílson, bem vigiado, inexistiu, e rápidos contra-ataques atormentavam a zaga colorada. A audácia foi recompensada aos 43 minutos, quando Vladimir superou a defesa inimiga e escorou um escanteio de cabeça para abrir o marcador. No setor onde torcida de Vacaria havia-se concentrado, emoção absoluta. No restante do estádio, surpresa: que time era aquele, que humilhava o Internacional em sua casa com um futebol de primeira categoria?


No segundo tempo, Abel tentou reverter o andamento da partida, mas era Daltro Menezes que dava uma lição ao técnico colorado. Às cegas, o Inter tentava furar a defesa do adversário. Melhor para o Glória, que insistia nos contra-ataques, aumentando a indignação da torcida colorada. Vaias começavam a ser ouvidas, e ninguém mais no Beira-Rio duvidava que o Internacional poderia sofrer, naquela noite de 9 de março de 1989, uma derrota acachapante. Enquanto isso, a festa da torcida visitante continuava.


Então, a arbitragem entrou em cena para mudar o resultado. Em um dos tantos contra-ataques, Áureo arrancou em direção ao gol, com Luís Carlos Martins no seu encalço. Ao entrar na grande área, o meia foi empurrado por Martins. Pênalti claro, mas o árbitro Ricardo Müller deu apenas falta fora da área. O erro desconcentrou o Glória, que passou a atuar recuado, dando ao Inter a chance de exercer pressão. Aos 39 minutos, após cobrança de escanteio, Gasperin espalmou a bola para a entrada da área, de onde Luís Carlos Martins disparou para empatar a partida, resultado mantido até o encerramento.


Conforme o regulamento previa, o jogo seria decidido nos pênaltis. Contando com Taffarel no gol e com o abalo do adversário, o time da casa venceu por 3 a 1. A péssima arbitragem mereceu críticas do presidente da FGF, Rubens Hofmeister, que admitiu que a equipe de Vacaria fora “vergonhosamente prejudicada”. “O Inter levou um baile de bola, e não conseguiria chegar ao empate se o árbitro não tivesse dado ao menos um dos dois pênaltis que houve a favor do Glória”, completou. Daltro Menezes, irônico, disparou: “Ele (Ricardo Müller) foi um belo juiz para o Inter, ficou com ‘pena’ deles ao não marcar um pênalti claro a nosso favor”.


Discussões à parte, ninguém contestou o fundamental: o “Leão” dera um “banho” - técnico, tático e físico - no Internacional, e na casa do adversário! Modestamente, os heróis vacarienses assombraram o Beira-Rio, palco das grandes conquistas coloradas, e gravaram para sempre o nome do Grêmio Esportivo Glória na história do esporte gaúcho.


Branco enfrenta Norberto. Glória foi superior durante toda a partida.

Ficha Técnica

Internacional: Taffarel, Luiz Carlos Winck, Nenê, Nórton e Casemiro; Norberto, Leomir (Hêider), Luís Fernando e Luís Carlos Martins; Nílson e Edu (Ado). Técnico: Abel Braga.


Glória: Gasperin, Paulão, Vladimir, Juarez e Francisco, Edmílson, Jair, Branco (Zé Roberto) e Áureo (Zé Carlos); Geraldo e Edmundo. Técnico: Daltro Menezes


Arbitragem: Ricardo Müller, com Antônio Moussalle e Dênis Alves.
Cartões amarelos: Luís Carlos Martins, Vladimir, Geraldo e Edmílson.
Renda e público: NCz$ 3.247,00, com 4.258 pagantes.
Local: estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.



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