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Futebol



1ª vitória em Porto Alegre - Uma vitória para sempre

Às vezes, uma vitória fora de casa tem o valor de um título. São circunstâncias muito especiais que fazem o triunfo, aparentemente passageiro, tomar proporções épicas e ganhar – por que não? – a eternidade. Para a torcida do Glória, o dia 26 de março de 2005 jamais será esquecido. Foi nele, sugestivamente um sábado de Aleluia, que o time venceu pela primeira vez um clube da dupla Gre-Nal fora do Altos da Glória: 3 a 1 sobre o Internacional, em pleno Beira-Rio.


E como a esperamos! O Leão enfrentava Inter e Grêmio em Porto Alegre desde 1989, quando estreou no Campeonato Gaúcho. Desde então, a vitória, marota, nunca se entregava ao time de Vacaria. Muitas vezes, o adversário jogava melhor; em outras, o Glória jogava bem, mas não vencia. E havia aquelas ocasiões – nem tão raras e invariavelmente dolorosas – em que a arbitragem interferia e colocava a perder todo o esforço do time. E diga-se a verdade: poucos times foram tão prejudicados pela arbitragem em partidas na capital quanto o Glória!


Quando o jogo daquele sábado começou, nada indicava que a história seria diferente. Logo aos 5 minutos, Jorge Wagner preparou-se para cobrar uma falta na lateral do campo. Nervosa, a zaga vacariense se preocupava com Fernandão, grande perigo na bola aérea. Porém, Jorge Wagner surpreendeu e, com rara precisão, colocou a bola no ângulo de Marcão. Era o 1 a 0 para os donos da casa, e a rotina de insucessos se confirmando. Nas arquibancadas do Beira-Rio, a torcida já antevia uma goleada.


O que os colorados não sabiam era que havia mais do que 11 jogadores do Glória em campo: havia 11 guerreiros, prontos para quebrar o tabu. E o Leão, como que se tivesse armazenado por longos 16 anos a energia necessária para vencer, partiu para o ataque. Aos 11 minutos, em jogada bem tramada, Jajá foi cercado pela defesa do Inter. Friamente, ele encontrou uma brecha e passou a Júnior Negrão, livre na entrada da grande área, que dominou e chutou. André ainda tocou na bola, mas ela só parou no fundo da rede. Era o empate do Glória e o triunfo nascendo após tantas humilhações!


A resposta rápida abalou o time do Inter. Logo sua torcida veria seus principais astros, Tinga e Fernandão, contidos, submissos à marcação impecável de Júnior Negrão e Pansera. Enquanto isso, os vacarienses iam ao ataque. Aos 16 minutos, Adailton escapou pela direita e chutou forte, para boa defesa de André. Dois minutos depois, Jajá foi derrubado na área. A arbitragem – que novidade! – não assinala a penalidade, pois o auxiliar, incorretamente, havia marcado impedimento.


Tudo bem, tudo bem... O que era do Glória estava guardado. Guardado para os 25 minutos, quando Kléber cobrou escanteio e Gustavo, gigantesco, subiu muito além da vã defesa colorada e fuzilou de cabeça, no canto direito de André. Foi impossível não recordar Vladimir, autor do golaço do Leão no primeiro jogo contra o Inter no Beira-Rio, no distante 1989, também de cabeça, também em um escanteio. Será que os deuses do futebol lembraram daquele primeiro confronto e determinaram que o lance do gol fosse repetido após tanto tempo?


Gustavo (centro) comemora seu gol com Xavier, Bolacha e Jajá: triunfo épico no Beira-Rio

Jamais saberemos. Mas saberemos para sempre que Marcão parecia mais do que apenas um no gol do Glória, preciso na saídas, impecável nas bolas altas, soberano na área, pronto para ganhar o duelo contra Rafael Sobis. Saberemos como todo o time foi valente, empenhado na marcação, sem dar importância a rótulos como “violento” e “desleal”, cumprindo à risca as ordens de Bagé. Ao final da primeira etapa, o técnico avisava: “Vamos continuar atacando”, mostrando que time que tem coragem para atacar não precisa se arrimar no jogo duro para ser melhor e vencer!


E que coragem! E que melhor futebol! E que vontade de vencer! No segundo tempo, o Inter pressiona, mas Marcão e sua defesa estão atentos. Lá na frente, Flavinho, Kléber e Jajá atormentam os adversários. As chances se acumulam, o Glória não aproveita. Contudo, na retagurada, Rémerson, Marcelo Bolacha, Carlão e Xavier não dão chance para o azar, enquanto Pansera e Negrão seguem dominando o meio-campo.


Sem saber o que fazer, a zaga vermelha entrega a bola de presente para Adailton, na altura da linha do meio-campo. O lateral avança com ela e aciona Jajá. Logo este é cercado, mas, como no lance do primeiro gol, tem calma suficiente para descobrir um companheiro livre. Era o mesmo Adailton, que recebeu, avançou e chutou na saída de André. Aos 31 minutos do segundo tempo, ninguém mais duvidava, a vitória seria, pela primeira vez em Porto Alegre, do Leão: 3 a 1!


Aturdido, restou ao Inter esperar o apito final e, humilhado, retirar-se de seu campo sob vaias, tamanho o “chocolate". A vitória, incontestável, era do time de Vacaria! Naquele dia iluminado, a torcida do Glória teve a quase-certeza de que estaria na final do Gauchão. A seqüência do campeonato, porém, desmentiria a euforia reinante após a grande apoteose. Nisso mesmo reside o charme do futebol: a capacidade de apaixonar, por mais que ele, como a vida, nos minta, por mais que o sorriso franco do hoje seja apenas a véspera da lágrima incontida do amanhã. Mas aquele jogo no Beira-Rio foi, para os que tiveram o privilégio de acompanhá-lo, exatamente como todos queríamos: fomos heróis, conquistamos uma vitória para sempre!


Ficha Técnica

Glória: Marcão; Adailton, Marcelo Bolacha (Carlão), Xavier e Marcelo Müller; Pansera, Júnior Negrão, Flavinho e Kléber (Rémerson); Gustavo (Vandré) e Jajá. Técnico: Bagé.


Inter: André; Índio, Edinho e Wilson (Rodrigo Paulista); Bolívar, Augusto Recife, Tinga, Fernandão e Jorge Wagner; Diogo (Diego) e Rafael Sobis. Técnico: Muricy Ramalho.


Arbitragem: Alexandre Barreto, com Paulo Ricardo Conceição e Sílvio Rogério Silva.
Cartões amarelos:Edinho, Jorge Wagner (Internacional); Adailton, Kléber, Júnior Negrão, Marcelo Müller, Marcelo Bolacha, Pansera, Xavier (Glória).
Renda e público: 17.383 (14.392 pagantes), renda de R$ 137.060,00.
Local: estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.



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